quinta-feira, 18 de junho de 2009

Eu e o blog

Hoje, ao findar do dia, a sensação foi de conforto, de esperança, de luz... Ontem foi a missa de Sétimo Dia de meu pai querido. Foi um baque a perda dele, a partida dele... Mas estamos sendo fortes, corajosos, nos mantendo com as cabeças firmes. Quando digo nós, é porque não consigo falar somente de mim, porque esta dor da ausência, eu tenho certeza, repercute em mim, em meus três irmãos e claro, infinitamente em nossa mãe querida.

Nestas horas, não consigo falar no singular. É tudo múltiplo, como foi a doação total de meu pai para com a gente. E será inevitável lembrar sempre disso, falar sempre disso. Mas não com lamento, mas com saudade de um período de 38 anos de convivência com um Pai em todos os sentidos. No sentido máximo da palavra, que se doou por nós, que demonstrava uma ombridade tamanha nos mais simples gestos. E não é porque ele não está mais de corpo presente aqui que falo disso, desta coisa boa que foi em nossa vida. Era rígido sim. Quantas vezes falou grosso comigo, mas nunca eu digo nunca, gritando? Nossa, me lembro até hoje, sempre vou me lembrar. Ele falava um pouco grosse e as lágrimas rolavam. Em certas ocasiões ele nem percebia isso...

Meu pai nunca precisou me bater (da minha mãe sim, levei uns tapas nas costas, daqueles que a gente se joga pra frente e quase não toca na coluna). Nunca. Bastava falar grosso, rs. Mas também não foram tantas vezes assim. Eu não era assim um exemplo de garota, mas na sabedoria dele, falava apenas quando necessário. Me lembro de quando éramos crianças e morávamos em Terra Boa. Meus irmãos aprontavam, brigavam e minha mãe dizia: quando o Aurélio chegar eu vou contar tudinho pra ele. E ela contava. E eles corriam pra debaixo da cama... Meu pai ia tirando a cinta e apanhava todo mundo. E eu chorava de ver eles apanhando, acho que tinha mais dó que medo. Não era uma situação que hoje os psicólogos diriam que causaria trauma, ou melhor, era sim! Mas nem por isso tive sequelas graves, rs.

E como é que alguém põe risos no texto, quando o pai completa 8 dias de falecimento? É porque ele plantou tudo que havia no seu cesto, tudo o que havia para ser semeado, ele o fez. E inclusive nos preparou para sua partida. Não nos deixou de repente. Foi dando sinais. Tempo suficiente para cuidarmos dele. Porque se ainda tivesse cuidando da gente como fez a vida inteira, ficaríamos órfãos. Não, nos deu o prazer de cuidar dele e também nos fez ver a dura realidade de termos nossos pais envelhecendo diante de nossos olhos. Quando o via andando lentamente, comendo lentamente, esquecendo das palavras... Como isso me doía. Mas também me fortalecia, hoje percebo.

Não consigo parar de pensar nele, de falar dele, de escrever dele. Por isso criei este espaço. Já criei vários deles, mas vou usar este meio pra escrever o que lembro de meu pai, mas também muitas outras coisas que passam pela minha cabeça. Sei que dificilmente terei aqui uma legião de frequentadores, mas é tão bom registrar os pensamentos e porque não, divi-los. Se eu puder dar um conselho, é este: cuide bem dos seus pais. Nós cuidamos do nosso. Temos nossa consciência tranquila e é certamente por isso que hoje estamos conseguindo continuar nossa jornada, porque sabemos que nosso pai cumpriu sua missão como pai, como esposo, como irmão, amigo e um grande piadista e filósofo de opinião formada...

Vou tentar lembrar aqui algumas passagens do seu Aurélio Franco de Lima. Mas não vou me prender a isso, porque meu pai me inspirou a tudo que sou e dentre outras coisas, gosto de meio ambiente, de jornalismo, de cultura, de amizades, de contos, livros, etc, etc, etc...

Porque procrastinação não? Pra gente não deixar pra depois... Graças a Deus, penso que não deixamos pra depois tudo que podíamos aprender e fazer com e pelo nosso PAI.